Entrei no site da Secretaria de Estado e Planejamento do Governo de São Paulo para ver se tinha mais alguma coisa sobre a Concorrência para a construção do Parque do Belém e qual foi minha surpresa ao encontrar este comunicado aqui:
Prezados Senhores,
Publicado no D.O.E. de 23/05/2009, Jornal da Tarde de 23/05/2008 e no Site do Planejamento.
COMUNICADO RELEVANTE
Comunicamos que a CONCORRÊNCIA PÚBLICA Nº 005/2009, para contratação de serviços de engenharia de implementação do Parque Estadual do Belém marcada para 15/06/2009 , está SUSPENSA, para revisão do projeto básico, devendo a Secretaria de Economia e Planejamento, após a fixação da nova data para abertura das propostas republicar o aviso nos termos da legislação vigente.
Andaram fazendo besteira me parece, revisar não quer dizer “procurar cagadas”? Se foi isso realmente, eu espero que consigam melhorar o projeto e não piorar. Assim que tiver um tempo vou lá tomar um café com o Seu Caco e me informar sobre o que de fato aconteceu.
Para entender como foi que eu conheci o Seu Caco, leia os outros dois posts sobre o Parque do Belém:
- Parque do Belém: Segue a Saga
- Parque do Belém: Descaso e abandono









4 comments
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14/06/2009 às 12:17
Marcos Godoy
Do meu apartamento consigo ver uma parte do Parque do Belem, muitas árvores, grama verde, cenário perfeito para um pequinique. Infelizmente nunca estive lá. Tenho medo da falta de segurança que aparenta o lugar. Não vejo policiamento lá dentro. E lendo seu artigo sobre o adiamento na concorrência dos serviços que ainda faltam no parque, acho que demorarei bastante para frequentá-lo. Fico chateado pois tenho dois filhos que poderiam usufruir desse contato com a natureza e o espaço que o parque oferece, mas diante dessa situação prefiro que eles se limitem ao espaço do condomínio onde moramos. Parabéns pelo seu blog.
14/06/2009 às 20:12
cpi1518
Pois é Marcos, dentro do “Parque” ou o desse imenso descampado realmente não existe policiamento, apenas alguns seguranças contratados para impedirem que os moradores da comunidade ali próxima não adentrem com barracos – segundo as informações dos próprios. Eu passeio por lá de bicicleta com a minha filha de 2 anos e nunca sofri nenhum tipo de abordagem, mas realmente o cenário não é dos melhores não. Talvez o maior problema até agora, no meu ponto de vista, é que as pessoas de certa forma não abraçaram o Parque de verdade, e sem frequência de “público” – pessoas caminhando, andando de bicileta, jogando bola -, o que resta é um lugar ermo, abandonado e pronto para servir de “parque de diversões” para aqueles que preferem andar pelos caminhos tortos da vida. Mas vamo que vamo! Acho que o Parque vai ser construído sim, afinal é uma grande obra, daquelas que trazem um imenso prestígio para quem a inaugura e pensando na ânsia do Serra para ser presidente, seria uma imensa besteira ele não dar andamento a este projeto, certo? Grande abraço e muita luz para você.
21/07/2009 às 12:21
Silvana
O ESTADO DE S. PAULO
Sábado, 11 de Julho de 2009 | Versão Impressa
Parque do Belém: obras em 2 meses
Área onde funcionou o complexo Tatuapé da Febem ganhará Escola de Circo com enorme tenda colorida
Vitor Hugo Brandalise
Durante a década de 1990 e o início dos anos 2000, o complexo do Tatuapé da Febem (atual Fundação Casa), na zona leste de São Paulo, virou sinônimo de rebelião – na pior temporada, em 2005, 18 revoltas de internos eclodiram na unidade, com espancamentos, fogo em colchões, funcionários feitos de reféns. A situação levou à desativação total do complexo, em outubro de 2007. Quase dois anos depois, com o início das obras do prometido Parque do Belém, que funcionará no local, essa imagem vai começar a mudar.
O primeiro equipamento cultural a ser construído ali, a Escola de Circo do Estado de São Paulo – uma tenda colorida da altura de um prédio de 10 andares e capacidade para 1,2 mil lugares, com projeto doado pelo governo da França – já tem recursos destinados (R$ 5 milhões, custeados pela Secretaria da Cultura) e cronograma de obras definido. Em setembro, a obra começa a sair do papel, com data de inauguração prevista para junho de 2010.
A Escola de Circo – projetada pelo escritório francês Construire, criador da renomada Escola Nacional de Artes do Circo da França, uma das mais respeitadas do mundo -, com 4,6 mil metros quadrados de área, será aberta à comunidade e terá cursos gratuitos para iniciantes e de aperfeiçoamento para profissionais. “Será a maior escola do gênero do País, instalada num local que merece ter sua memória refeita”, disse o secretário de Estado da Cultura, João Sayad. “A estrutura será dividida ao meio, com um mezanino, que permitirá aulas de trapézio para profissionais, que podem aproveitar todo o espaço, e para iniciantes, que poderão avançar progressivamente”, disse.
Haverá aulas para cerca de cem alunos, em oficinas e workshops diários, além de apresentações circenses “no mínimo quinzenais”, segundo Sayad. “As arquibancadas serão móveis, o que permitirá aumentar ou diminuir o espaço para as montagens, dependendo do que o grupo circense precisar”, disse.
O processo licitatório para instalação de outros equipamentos do Parque do Belém, sob responsabilidade da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado, deve ser lançado ainda neste mês. Na primeira fase do projeto, estão previstas quadras esportivas, playground e ciclovia, além da área administrativa. O término das obras no parque também está previsto para junho de 2010.
Outro projeto previsto para o local é a reutilização da estrutura do antigo Reformatório das Meninas, prédio da década de 1930 totalmente em ruínas, onde será instalada a sede do programa Fábricas de Cultura, que oferecerá cursos de dança, teatro e música, além de espetáculos gratuitos à comunidade. No total, serão nove centros, em distritos carentes de São Paulo (Cidade Tiradentes, Itaim Paulista, Sapopemba e Vila Curuçá, na zona leste; Brasilândia, Cachoeirinha e Jaçanã, na zona norte; Capão Redondo e Jardim São Luís, na zona sul). Segundo a Secretaria da Cultura, as obras devem ser finalizadas até o final de 2010.
ABANDONO
Embora cerca de um terço do Parque do Belém – 80 mil metros quadrados -, esteja aberto para a comunidade desde abril do ano passado, a sensação é de que se trata de um local abandonado. Desde maio, quando terminou o contrato de uma frente de trabalho que cuidava de varrição e jardinagem do parque, não há pessoal destacado para limpar o local, segundo a equipe que o administra provisoriamente, da Companhia Paulista de Obras e Serviços.
As ruínas do antigo reformatório das meninas hoje serve como abrigo para mendigos e usurários de drogas, como admitem os próprios vigilantes que cuidam do local. “Tem uma favelinha aqui ao lado e o pessoal corre para cá, quando rouba alguém ou quer usar drogas. Nem sabemos direito o que fazer”, disse um vigia.
As ruínas servem, também, como moradia para quem conheceu o local em outra época. Ex-interna da Febem, a doméstica Maria Marlene de Araújo, de 46 anos – nas suas contas, viveu no local entre 1975 e 1981-, escolheu as ruínas para morar há sete meses, quando perdeu o emprego. Lá, conheceu usuários de crack. “Já conhecia a pedra da rua. Quando encontrei o pessoal aqui, voltei a usar”, disse. Ela se alegra ao saber que um parque será construído ali. “Gostaria de conseguir um emprego, vendendo doces, algo assim. Mas antes tenho de ir para clínica de recuperação.” Os vigilantes do Parque, porém, afirmam que não há moradores no local e que não podem impedir ninguém de entrar no parque.
Em relação à limpeza do local, a Secretaria de Economia e Planejamento afirma que, enquanto o processo de licitação não é finalizado, “a limpeza é realizada por equipe da própria secretaria”. A poda do mato será feita pela Secretaria da Agricultura, “que só não realizou o serviço nos últimos dias em razão das chuvas”.
03/11/2009 às 17:20
Renato
É lamentável o descaso das autoridades para com o bem público e com a sociedade. Moro bem próximo do pseudo parque e acompanhei um pouco de sua história. Desde as rebeliões da antiga FEBEM à promessa do Parque para comunidade.
O Governador passou por lá, dirigiu o trator que derrubou o primeiro muro da antiga FEBEM e deu origem ao tal Parque, depois alguns poucos funcionários deram inicio as obras, alardeadas por enormes placas que anunciavam “Obras no novo Parque do Belém”. Passaram-se alguns dias e aquilo ficou abandonado. O projeto de só foi entregue depois de muita pressão da mídia. E mesmo assim o estardalhaço midiático, só surtiu efeito, depois que a Globo compareceu com o espalhafatoso Márcio Canuto. O governo sentiu-se acuado pela poderosa Globo, apresou-se em cortar o mato que havia no local, colocou banheiros químicos – que ainda encontram-se no local e instalou uma torneira, para que nossas crianças tivessem acesso a um pouco de água. Uma lastima, pura maquiagem, um cenário de filme de terror e mal feito. Como era previsível ruiu.
Como alguns já disseram por aqui, o local não tem policiamento e fica ao lado de uma comunidade carente. É muito fácil atribuir tal situação a esses fatos, porém não vamos nos esquecer de que é responsabilidade do Estado manter a ordem, a segurança e o funcionamento dos aparelhos públicos. Talvez se esse espaço estivesse cumprindo seu objetivo essa comunidade próxima já não seria tão carente quanto parece.
É preciso inverter o papel, vamos ocupar o parque, mostrar que ele é útil para sociedade, exigir uma atitude firme do Estado.
Segundo consta no projeto original ele prevê uma ciclovia. Pois bem, a cidade é carente em espaços para essa prática, na região não existe nada parecido, aos domingos chegam a cercar vias públicas para que famílias possam realizar passeios ciclísticos sem se digladiar com os carros. Esse argumento por si só já teria força.