contemplacao

Rabisquei esse desenho enquanto refletia sobre o fato de termos nos distanciado tanto da natureza, depois de ter lido o post da Giuliana lá no Gaiatos e Gaianos.

No Domingo passado fui ao Sesc Ipiranga assistir ao show do Cordel do Fogo Encantado junto com minha garota e um casal de amigos. Acabamos chegando um tempão antes e aproveitamos para ficar sentados no deck que tem lá atrás do parque conversando e observando o céu e as pessoas. Nos assustamos ao ver uma senhora brigando com um garotinho que pisou no gramado – que é para ser pisado -, e aí é que eu percebi como é que esse isolamento vai “nascendo” em algumas pessoas. Aquela senhora nem percebeu, mas com a bronca que ela deu no pequeno, a última coisa que ele vai querer fazer da próxima vez é se aproximar daquele gramado.

Naquele pedacinho de céu que podíamos olhar em meio a tantas árvores, o tráfego de passarinhos era tão grande que nem por um segundo ele ficava totalmente livre, ficamos ali observando um tempão e por um momento pude ter a exata percepção do mal que temos feito a eles. É como se ali, naquele pequeno espaço houvesse um oásis, o paraíso para aqueles que voando o tempo todo são obrigados a assistir todos os dias seus espaços indo pros ares em meio a especulação imobiliária.

Como um raio, um Bem-te-vi pousou em um poste bem a nossa frente e ali ficou alguns minutos – sim, minutos -, desconfiado e com aquela “máscara” que tem nos olhos, ele nos observou durante todo o tempo, talvez nos julgando, sei lá. Só sei que me senti um pouco culpado naquele momento.