circo

Neste final de semana fomos ao circo, mais precisamente no espetáculo da Academia Brasileira de Circo: “Circo dos sonhos“. Vira e mexe a gente acaba indo pra debaixo dessa tenda de maravilhas. Nas duas últimas vezes que tínhamos ido eu acabei lá dentro do picadeiro, os palhaços olham por todas as cadeiras e quando me veêm: Você! Lá pra cima. É batata. Isso se repete também em festinhas infantis, não tem jeito, se eles me veêm, eu estou numa puta enrascada. Na última vez que fomos ao circo, “escolhido” por um palhaço para representar o time masculino, eu participei daquela famosa brincadeira em que você tem que ficar correndo em volta de um taco de baseball olhando para o chão, e ao levantar precisa acertar um alvo. Pois bem, eu corri, corri e não levantei, fui ao chão de uma vez, e o pior, bati com a cabeça – protegida por um capacete, claro – na cabeça da minha adversária, os dois ao chão e uma cara de mané depois.

Ao sairmos de casa fui buscar uma amiga e sua pequenina que iam nos acompanhar, comentei sobre como era legal ir ao circo e sobre as minhas presepadas no picadeiro, e especiamente sobre a perseguição que os palhaços infligem a minha pessoa, seja no circo ou em festinhas infantis. Chegamos lá, vimos as primeiras atrações e quando os palhaços entraram em cena, começaram a cantar uma famosa canção italiana, em que no refrão todos precisavam repetir um “hei!”. Pois bem, eles desceram do picadeiro, vieram direto na minha direção:

– Você! – um deles apontou pra mim ao que o outro respondeu:
– Ele!

E eu com aquela cara de mané, sem saber o que fazer, aliás uma situação típica de quem é pego por palhaços. Continuaram a canção do meu lado e no refrão os dois olharam pra mim:

– Hei! Eu gritei.
– Foi muito baixo vai, de novo! O palhaço careca falou.
– Hei! Dei um belo grito, como se daquilo dependesse minha liberdade.
– Muito alto. Vai lá pra cima.

Fui lá pra cima e participei do espetáculo. Zoado por um palhaço, mais uma vez.

P.s: Acho que o palhaço é o mais próximo que um ser humano pode chegar da liberdade. A sua falta de pudor, a acidez com que eles abordam o público e por vezes sua inocência, nos fazem entender o quanto somos pequenos e indefesos.