Hoje fui até as obras na Marginal Tietê, na Freeway do Serra. Cheguei atrasado e só deu tempo de ver um bonde indo embora. Decidi ficar por lá, atravessei a pista para fazer umas fotos e acabei passando um bom tempo conversando com alguns funcionários da obra.

Como eu já imaginava, muitos deles não compactuam com o que são obrigados a fazer. Em poucos minutos de conversa, eles despejaram diversos argumentos para justificar o quanto esta obra é estúpida e retrógrada, mas que não podem fazer nada a não ser acatar as ordens: “Infelizemente, se eu descer a pá aqui, eles me mandam embora e amanhã tem 10 na fila pra entrar no meu lugar. Eles dizem que vão plantar em outro lugar, mas o problema não é plantar, é ter que derrubar, entende?”.

É nítido que estes funcionários estão sentindo na pele o descontentamento dos cidadãos, foi só eu atravessar a pista e me aproximar puxando assunto para eles começarem a desculpar-se. Eu disse que jamais iria até lá para julgá-los ou culpá-los, mas apenas para ouvir o que tinham a dizer e o que sentiam tendo que fazer aquilo. “Você viu aquele rio na China? Um moço que veio aqui me mostrou. Coisa mais bonita. Imagina esse riozão daquele jeito, ia ter até peixe de novo”, talvez referindo-se à revitalização do Rio Cheonggyecheon, em Seoul.

O mais triste de tudo isso, é saber que esses homens, esses trabalhadores, agora totalmente esclarecidos sobre o quão agressiva esta obra é – desde a forma como foi aprovada, passando pela derrubada indiscriminada das árvores e posteriormente com o impacto que essa imensidão de concreto causará -, terão que chegar em suas casas e ao deitarem-se no travesseiro, refletir sobre o verdadeiro peso de suas mãos.

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Pedal de Luto – Luddista

Pedal Verde na Velha Marginal – Ecologia Urbana