Canalizar um rio é o mesmo que asfaltá-lo!

Quem, ao andar próximo das várzeas de nossos rios não deparou-se com aquele olhar curioso, mas ao mesmo tempo severo das capivaras? Sempre penso nelas como guardiãs do pouco que ainda sobrou de vegetação naquelas margens, como se fossem suas últimas habitantes, resistindo a todo custo aos danos que causamos, e indiretamente nos dando um recado muito claro: ” Olha, nós podemos reverter tudo isso! Um dia vocês também poderão nadar aqui!”

Canalizar um rio e afastar o pouco de vida que ainda existe nele, é decretar de uma vez por todas sua morte.  É por isso que a ciclovia da Marginal Pinheiros tem tanta importância, ela vai provar ao povo paulistano de uma vez por todas, que é possível sim, conviver próximos as margens, ainda contemplar sua beleza, como a de uma mulher que debaixo de todos aqueles calos, ainda tem um coração esperançoso que sorri a cada vez que uma pessoa lhe dá um bom dia. Levar as pessoas a refletirem sobre o imenso potencial desperdiçado que são as margens dos grandes rios, que poderiam tornar-se grandes centros de lazer e convivência, com oficinas cidadãs e ciclovias os interligando.

Outros países já despoluiram seus rios – leia esse excelente texto no ecourbana sobre o rio Cheonggyecheon em Seoul – , nós podemos fazer também, é claro que, com representantes como os que temos neste momento, isso é praticamente impossível. No entanto, é visível o crescimento do envolvimento da sociedade civil, ainda que hajam bloqueios por parte dos que governam – audiências longínquas, pouco debate, apenas apresentação dos projetos. Tenho certeza absoluta que mesmo que demore um pouco, mais cedo ou mais tarde, depois de muita pressão popular, este é um tema que terá que entrar na agenda dos que governam essa cidade.

Vamo que vamo!

capivara