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Durante a Segunda Grande Guerra o governo americano encorajou sua população a compartilhar os carros para poderem economizar petróleo, os posters que seguem são dessa época. “Quem dirige sozinho, dá carona ao Hitler!”

Sobre as minhas colocações de ontem acerca das várzeas do Tietê. Uma matéria de 2004 da revista Pesquisa FAPESP chamada “Enchentes: as águas encontram saídas” demonstra o quão incompetentes são os que tem governado São Paulo e quanto se lucra com a Indústria das enchentes. Vi na matéria respaldo para tudo o que eu imaginava e dizia aqui.

Encontrei o texto em um post de hoje no blog do Paulo Henrique Amorim, as observações lhes foram feitas pelo internauta Edvaldo Alves. Leiam, vale muito a pena.

Em situações como a de hoje, a mídia fica sempre atrás de especialistas para justificarem os “porques” do evento, no caso, a enchente que deixou São Paulo praticamente submersa em alguns trechos.

Algumas pessoas apressaram-sem em dizer que em apenas um dia choveu praticamente toda a média para o mês, houveram aqueles que culparam a falta de limpeza dos córregos que desaguam no Rio Tietê e Pinheiros, não faltaram desculpas para justificar o injustificável fato de que nossa cidade está praticamente toda impermeabilizada! E numa região de várzea! O que é mais absurdo. Olha só a definição de várzea extraída do Wikimedia:

“Várzea é a campina plana às margens de um rio que em época de enchente é inundada com as águas deste último.”

Ou seja, desde a época em que minha avó nadava por aquelas bandas o Rio sempre seguiu seu curso natural. Em épocas de cheias ele transborda e ponto final. São rios de planície! Nossos governantes são amadores, ou muito burros.

Aí você me pergunta, mas então qual a solução? E eu te respondo: Devolva à várzea o que lhe é de direito, solo aberto, exposto, para que a água possa ser absorvida durante as cheias. Transforme as áreas próximas aos rios em imensos parques lineares com ciclovias e espaços de convivência. Ah mas não é fácil assim… Não mesmo, exige de um governante postura, comprometimento com o bem público e principalmente caráter para evitar que empresas governem por ele. Nosso executivo durante anos tem pautado suas ações no trânsito e especulação imobiliária. Estou errado? Aumento de IPTU, fluidez em detrimento da vida, pontes e viadutos que levam de um congestionamento a outro.

Num momento em que o mundo inteiro está preocupado em encontrar soluções sustentáveis para seus problemas de mobilidade e qualidade de vida, abdicando principalmente do transporte individual e investindo em transporte público eficiente, os que governam nossa cidade preferem continuar com as políticas herdadas do Maluf. Triste, mas eu nunca esperei mais deles. Quer um exemplo de governantes de peito? Então toma:

Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá:

Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba e inspiração para o projeto colombiano:

O Guto formou-se! Adivinha no que foi inspirado seu trabalho de conclusão de curso: Bicicletas, e livros!

O trabalho ficou demais e as soluções encontradas melhor ainda, pode ter certeza que seu trabalho vai inspirar muitas pessoas!

Bibliocicleta – Design de objeto para disseminação da leitura e intervenção em comunidades.

Esse foi o meu trabalho de conclusão do curso de Design da Escola de Belas Artes da UFBA.

O trabalho surge a partir de uma demanda do Água Comprida – Fórum Permanente de Cultura de Simôes Filho, intituição sem fins lucrativos que trabalha em prol da produção artística e cultural da cidade. O Fórum precisava dar um destino nobre para livros que foram arrecadados a partir de doações de amigos e pessoas interessadas na democratização da leitura por via de uma biblioteca comunitária. O projeto da biblioteca comunitária precisou ser adiado, e por isso surgiu a necessidade de criar uma biblioteca itinerante para dar destino aos livros que foram doados com tanta boa vontade, e para que eles começassem a circular nas mãos daqueles que são privados do benefício da leitura.

O projeto foi todo baseado na utilização de recursos humanos e materiais disponíveis. 90% da materia prima utilizada veio das ruas, e a mão de obra foi toda voluntária. Também foi considerada, a leveza, resistência, e a possibilidade de replicação, para que possa ser produzido em qualquer comunidade que se interesse e por qualquer pessoa.

Ontem, sobre a conversa com o Pascal van den Noort, algumas coisas ficaram muito claras para mim.

Para a introdução de um plano cicloviário em uma cidade como a nossa, a pressão popular deve ser esmagadora, intensa, a sociedade civil organizada deve estar no cerne das discussões, abraçar o projeto. Ele citou inclusive não apenas a participação de Associações de Cilistas, mas também as de bairro, movimentos femininos e outros, numa clara demonstração de que um plano cicloviário afetará todas as pessoas e por isso deve ser colocado na agenda de qualquer movimento social.

Um projeto desses só terá vida longa se os cidadãos o acolherem de verdade, porque a princípio, durante sua implantação é necessário que existam pessoas dispostas a incentivar outras a “usar” a ciclovia, ele usou um termo como “urban heroes”, é preciso frequência de “usuários” para que o projeto não falhe.

Investindo num plano cicloviário, a cidade  em alguns anos acabará tendo uma melhora significativa com cidadãos mais saudáveis, mais áreas verdes, menos violência, e um aumento de receita, já que estas áreas afetadas são umbilicalmente conectadas ao orçamento de saúde, trânsito. Ele citou o caso de Bogotá como um exemplo muito claro disso.

Outra coisa, é preciso que nós encontremos o nosso “projeto”, pois nunca será possível implantar sistemas copiados de outras nações. Cada cidade tem a sua cultura, suas necessidades especiais e isso faz de cada projeto um sistema único.

Foi muito bom poder conversar com ele, acho que nos deu a todos uma visão mais ampla do que temos que pensar daqui para frente.

P.s. Quero agradecer muito a Renata Lajas que nos ajudou traduzindo as palavras do Pascal, seria praticamente impossível com nosso inglês paraguiao ter passado tanto tempo conversando com ele.

O autor

Valdinei Calvento - ilustrador.

Gente boa, tranquilão, bom pai, anda de bicicleta (e acredita nela), curte desenhar, plantar umas sementinhas, acredita em algumas pessoas, luta por elas, e sempre que possível, corre de São Paulo.

Bicicleta Girassol é o meu portifólio.

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Gostou dos desenhos e textos? Odiou? Não tem problema, se estiver afim, pode usar, fica à vontade. Tudo o que está aqui é seu também. Se quiser, é claro.

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