Ontem, sobre a conversa com o Pascal van den Noort, algumas coisas ficaram muito claras para mim.

Para a introdução de um plano cicloviário em uma cidade como a nossa, a pressão popular deve ser esmagadora, intensa, a sociedade civil organizada deve estar no cerne das discussões, abraçar o projeto. Ele citou inclusive não apenas a participação de Associações de Cilistas, mas também as de bairro, movimentos femininos e outros, numa clara demonstração de que um plano cicloviário afetará todas as pessoas e por isso deve ser colocado na agenda de qualquer movimento social.

Um projeto desses só terá vida longa se os cidadãos o acolherem de verdade, porque a princípio, durante sua implantação é necessário que existam pessoas dispostas a incentivar outras a “usar” a ciclovia, ele usou um termo como “urban heroes”, é preciso frequência de “usuários” para que o projeto não falhe.

Investindo num plano cicloviário, a cidade  em alguns anos acabará tendo uma melhora significativa com cidadãos mais saudáveis, mais áreas verdes, menos violência, e um aumento de receita, já que estas áreas afetadas são umbilicalmente conectadas ao orçamento de saúde, trânsito. Ele citou o caso de Bogotá como um exemplo muito claro disso.

Outra coisa, é preciso que nós encontremos o nosso “projeto”, pois nunca será possível implantar sistemas copiados de outras nações. Cada cidade tem a sua cultura, suas necessidades especiais e isso faz de cada projeto um sistema único.

Foi muito bom poder conversar com ele, acho que nos deu a todos uma visão mais ampla do que temos que pensar daqui para frente.

P.s. Quero agradecer muito a Renata Lajas que nos ajudou traduzindo as palavras do Pascal, seria praticamente impossível com nosso inglês paraguiao ter passado tanto tempo conversando com ele.