É isso. Eu moro em São Paulo, eu sinto o que é viver em São Paulo. A capital dominada pelo capital. A chuva ácida que nos queima a alma, o asfalto quente que gela nossos corações, os olhares atravessados, desconfiados, de quem está prestes a explodir. Ao ver a foto e ler esse post, me senti na obrigação de replicá-lo:

Por Leandro Fortes

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível.

Atualizando. Já que o post deu tanto pano pra manga, seguem os demais posts no blog do Leandro Fortes, tire suas conclusões:

O mundo bizarro de José Serra 2, a Gestapo

O mundo bizarro de José Serra 3, a Passagem

O mundo bizarro de José Serra 4, Il Dolce

E toma! Que tem mais, lá do Vi o mundo:

PM embarcou em Osasco no ônibus dos professores; é um P2