“Durante anos ele pedalou sem manter-se equilibrado, só pedalou, pra lá e pra cá, gritava e bradava aos ventos que o mundo estava assim por culpa dos motoristas e suas máquinas de fumaça. Não sabia se equilibrar, mas mesmo assim conseguia pedalar sua bicicleta num jeito torto e esquisito que arrancava sorriso das pessoas por onde passava, ao que sempre respondia com grosserias, deixando tristes aqueles que por um instante sentiam-se felizes em ver que alguém ousava enfrentar aquele trânsito com uma bicicleta. Continuou odiando o mundo que o cercava, culpando a todos pelo estado que as coisas se encontravam, achava que só ele tinha solução para todos os problemas. Até que um dia, de uma hora para outra, sem qualquer aviso ou alarde de alguém, percebeu que sua bicicleta sempre  soltava fumaça enquanto pedalava naquele jeito tosco e sem jeito em cima dela. “