A primeira pergunta que me fazem quando eu digo que despedi meu patrão é se eu estou ganhando mais trabalhando em casa. Não. Estou ganhando 1/3 do que ganhava. A decisão não tinha a ver com o dinheiro, que é preciso, isso é fato, mas tinha a ver com o papel que eu desempenhava na minha própria vida. Viver sem mesada me trouxe uma responsabilidade bem maior, mas junto com isso veio uma vontade cada vez mais crescente de entender quem eu sou, do que gosto de verdade.

Dia desses, veio em casa uma jornalista pra uma conversa, falar sobre educação infantil, sustentabilidade,  e de repente estávamos conversando eu, ela e minha esposa sobre como é viver sem patrão, sobre expectativas de vida, trocas de experiência de como planejar as coisas. Foi totalmente inusitado pra mim, tivemos uma conversa super boa e mais uma vez a sensação que tenho visto em grande parte das pessoas que me cercam: todos querem ser agentes de si mesmo, querem atuar e viver a liberdade, mesmo que para isso seja preciso abdicar dê um certo conforto financeiro.

Tenho desenhado bastante e isso me traz muita satisfação, realização, saber que o que tenho feito tem um valor grande para sensibilizar e educar as pessoas. Ainda que no momento não tenha tanto retorno financeiro.

Meus amigos tem me dito que preciso investir mais nas ilustrações, que preciso me “vender” como ilustrador, que muita gente não sabe que eu ilustro por eu ter passado muito tempo trabalhando com moda e fazendo basicamente camisetas nas marcas em que trabalhei.

Bom, eu sou ilustrador, gosto mesmo de desenhar e quero muito poder viver apenas disso.

Vamo que vamo.
;)